quinta-feira, janeiro 18, 2007

História do Futebol em Portugal

Mais uma “estória” para a História do Futebol em Portugal
– ou como se afasta o público dos estádios.
Com a devida autorização, publicamos o editorial de Manuel Tavares,
no “O Jogo” de 17-1-2007

Recebi do senhor Adriano Freire uma carta que também endereçou ao presidente da Liga. Por ser uma visão tão pertinente e tão jornalística, quero partilhá-la com a comunidade de leitores de O JOGO. Como o texto integral não cabe neste espaço, resolvi transcrever apenas o relato dos factos.
"No passado domingo, desloquei-me à pacata Vila das Aves, apesar do tempo frio convidar mais a ficar em casa, sentadinho no sofá, aproveitando a brasa da lareira para petiscar um enchido, que é tempo deles, bem regado por um maduro que tenho em casa e que devo-lhe dizer é uma categoria (...) mas optei por juntamente com mais quatro amigos da sueca me fazer à estrada para viver as emoções do futebol ao vivo.
Chegados às Aves, automóvel arrumadinho, faltavam duas horas para o jogo, fomos comer uma bifana, beber um fino e entre o café e o cigarro discutir se o Quaresma já se tinha esquecido do penalty falhado com o Atlético e se o Professor Neca finalmente ia jogar ao ataque.
A uma hora e pouco do início do jogo fomos à bilheteira e tivemos que tirar o bilhete para a bancada central (20 euros!!!!!), porque os de 15 euros (atrás da baliza ) estavam "esgotados".
Porta nº 3, Bancada Central, assinalava o bilhete. Às 19h00 em ponto, já estávamos na fila para entrar na famosa porta nº 3, repito Bancada Central. Às 19h30, a 15 minutos do início do jogo, tínhamos andado pouco mais de 10 metros na fila, que crescia cada vez mais, com a paciência (nós, não a fila) de quem queria entrar. Às 19h45, começou o jogo e eu continuava na fila. Oito minutos depois, gritou-se golo no estádio, ao meu lado (ainda na fila) um senhor aí com o seu meio século bem conservado, de rádio no ouvido, animava o neto de 7, 8 anos, equipado com a camisola nº 8 do Lucho: "Olha Tiago, foi golo do Porto, foi o Lucho". O Tiago deu um sorriso e rapidamente voltou aos protestos por ainda estar cá fora. O avô bem tentava explicar-lhe o que não tinha explicação, principalmente num país que organizou o Europeu de futebol, que continua a ter cidadãos a (sobre)viver com ordenados pequenos e onde ir ao futebol é para os ricos ou para os "maluquinhos da bola". Eu faço parte dos últimos.
Um minuto para as 20 horas: chegou a minha vez de passar pelos seguranças que fazem as habituais revistas que, desta vez, nem sequer nos tocam e só perguntam "tem isqueiro?". Quem respondeu que sim tinha que o deitar fora ou, então, não entrava. Ou seja, era possível levar uma pistola, granadas e até isqueiros..., não podia era responder que sim quando lhe perguntavam, repito: "Tem isqueiro?" Às 20h00, 15 minutos depois do início do jogo, quando o resultado já marcava 0-1, estou finalmente naquilo a que ironicamente chamam estádio e com um bilhete de Bancada Central - 20 euros!!! Só que a Bancada Central estava repleta, e a bancada meio lateral, meio atrás da baliza também estava repleta. Fiquei a ver o jogo de pé, num pequeno patamar atrás da bancada, ensanduichado entre o Zé da Tasca (no final do jogo e como o Porto ganhou, o Zé ainda serviu uns nacos de presunto à malta) e a rede que delimitava o final da Bancada Central - 20 euros!!!”

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1 Comentários:

Às 10:10 , Anonymous Anónimo disse...

Continuo sem perceber porque é que o futebol não é ao preço do cinema.

Querem gente, façam preços MUITO mais baratos.

 

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